Dicas de Microfonação Econômica para Bateria Acústica
- santo flow publicsinc
- 22 de mar. de 2025
- 8 min de leitura

compartilharemos algumas dicas para microfonar uma bateria, especialmente duas opções econômicas que podem ser úteis para bandas, ministérios e igrejas com restrições orçamentárias. Embora sejam opções econômicas, essas técnicas foram testadas e utilizadas profissionalmente em gravações e apresentações ao vivo, desde os tempos dos Beatles.
Antes de explorarmos as técnicas, é importante revisar alguns conceitos que podem gerar conflitos entre músicos e operadores de som, especialmente no que diz respeito ao timbre ou som produzido. No meio musical, e em especial nas igrejas, existem muitas lendas e conceitos equivocados, o que acaba resultando em debates desnecessários e pouco produtivos.
Este artigo não se concentrará em como tocar bateria, nem abordará as marcas de bateria. Nosso foco é oferecer uma alternativa econômica para a captação e reprodução do som, discutindo também alguns fatores que podem afetar a qualidade da captação e o timbre geral.
Importância do Timbre nas Peças da Bateria

É um equívoco comum pensar que a mesa de som é a principal responsável pelo timbre das peças da bateria. Na verdade, a mesa de som possui recursos limitados, como controle de volume de entrada do sinal, equalização para ajustar determinadas frequências, efeitos adicionais e controle de volume de saída. No entanto, a mesa de som não tem a capacidade de criar sons que não existem.
Se você adquirir um prato que não produz o agudo desejado, a mesa de som não será capaz de criar esse agudo. Da mesma forma, se o prato emite o agudo, mas em um volume mais baixo do que o desejado, a mesa de som poderá ajudar ajustando o volume ou equalização.
É importante ressaltar que o som desejado precisa ser emitido pelas próprias peças da bateria, sejam os pratos, bumbos, caixa ou tambores. A qualidade e características do timbre estão diretamente relacionadas à escolha e desempenho dessas peças.
Importância das Baquetas no Timbre

Não devemos subestimar a importância das baquetas, pois além de considerarmos aspectos como peso, preço e durabilidade, elas também exercem influência significativa no timbre da bateria. Especialmente quando entram em contato com superfícies duras, como pratos, hastes e laterais das peças, as baquetas desempenham um papel crucial.
A densidade da madeira e a porosidade das baquetas podem afetar tanto o timbre quanto o volume desejado. Portanto, a escolha das baquetas adequadas pode contribuir para alcançar o timbre desejado, além de influenciar a projeção do som e a resposta das peças da bateria.
Qualidade e Especialização dos Microfones
No momento de escolher um microfone para a captação da bateria, é importante considerar não apenas o preço, mas também a qualidade do equipamento. Os microfones possuem a capacidade de valorizar ou desvalorizar determinadas frequências emitidas pela bateria, o que impacta diretamente no timbre desejado.
Os kits de microfone para bateria geralmente oferecem microfones especializados em funções específicas, como bumbo, overs e tons/caixa. Isso é vantajoso, pois proporciona equipamentos direcionados para captar com eficiência essas diferentes partes da bateria. No entanto, é fundamental observar que a qualidade dos microfones pode variar consideravelmente entre as marcas.
Marcas renomadas, como Shure, não se destacam apenas pelo nome, mas também pela qualidade dos materiais, acabamento, soldagem e outros aspectos que influenciam na durabilidade e desempenho dos microfones. Além das marcas consagradas, existem opções de entrada com qualidade razoável, como os chineses Eltec, TakStar, Arcano, Alctron, entre outros.
É importante ressaltar que marcas reconhecidas, como Shure, Sennheiser, Audio-Technica e Akg, geralmente oferecem maior qualidade e renome no mercado. Ao considerar a escolha do microfone, é essencial ponderar sobre a relação entre o custo-benefício, optando por uma opção que atenda às suas necessidades e ofereça a qualidade desejada.
Mesa de Som, Equalização, Compressão e Limitação
É importante reiterar que a mesa de som e o operador não possuem a capacidade de realizar milagres. Os recursos disponíveis na mesa de som servem para valorizar ou desvalorizar os sons emitidos pela bateria, porém, eles não são capazes de criar sons que não existem. Portanto, se o seu instrumento não emite determinadas frequências graves ou agudas que você deseja, a mesa de som não poderá fazer nada para ajudar nesse sentido.
Além disso, não devemos negligenciar a importância da qualidade dos cabos, conectores e, é claro, da própria mesa de som. Esses elementos podem influenciar negativamente o timbre do equipamento, portanto, é essencial garantir que todos estejam em bom estado e sejam de qualidade.
O equalizador da mesa de som desempenha a função de regular o volume, mas em frequências específicas. Ele permite aumentar ou diminuir o volume de determinadas frequências em relação às demais. É válido ressaltar que mesas de som mais simples oferecem equalizadores básicos que atuam em conjuntos de frequências, enquanto mesas mais avançadas permitem ajustes mais precisos em pontos específicos.
Outro recurso importante a ser mencionado é a compressão. A compressão é utilizada para controlar o volume dos sinais de áudio, reduzindo a diferença entre os sons mais suaves e os mais altos. Isso ajuda a equilibrar o nível de volume geral e a evitar distorções indesejadas.
Por fim, o limiter é um recurso que limita o volume máximo de um sinal de áudio, evitando que ele ultrapasse um determinado limite pré-definido. Isso é útil para proteger os alto-falantes e evitar distorções excessivas em situações de pico de volume.
É fundamental entender o funcionamento e as capacidades dos recursos de equalização, compressão e limitação da sua mesa de som para utilizá-los de forma adequada e obter o resultado desejado na microfonação da bateria.
Reverb
O reverb, assim como outros efeitos, não é capaz de realizar milagres. Assim como a equalização, ele contribui para valorizar o timbre do seu instrumento, podendo influenciar também no volume.
Antes de aplicar um efeito, é importante obter informações e assistir vídeos que abordem o assunto, a fim de compreender como o efeito pode ajudar ou atrapalhar o timbre do seu equipamento.
Retorno vs. PA
Um ponto frequentemente negligenciado é a diferença entre os retornos e a PA (Sistema de Amplificação Principal), especialmente em igrejas que possuem sistemas de som básicos. É raro encontrar igrejas com mesas de som dedicadas e independentes para os retornos e a PA. Isso significa que a aplicação do pré-ganho, equalização e efeitos é a mesma tanto para os retornos quanto para a PA.
Na prática, o que isso significa?
Tanto o operador de som quanto a banda precisam compreender que a prioridade do som e do timbre é sempre a PA. Portanto, é necessário ajustar e equalizar o som para proporcionar a melhor experiência ao público, o que muitas vezes resulta em um timbre e qualidade sonora diferentes para o músico no palco.
Isso ocorre porque, em geral, o retorno de palco ou os fones de ouvido não conseguem oferecer a mesma experiência da PA. Um exemplo comum se aplica a locais que utilizam sistemas de fones de ouvido, que normalmente são mono e possuem fones de qualidade mediana, podendo influenciar muito na qualidade e volume do som. Em alguns casos, isso pode se tornar um pesadelo devido a ajustes inadequados que causam saturação e distorção.
Resumindo a introdução
Existem vários fatores que contribuem ou atrapalham o som, e o conhecimento limitado é um deles. Esperamos que, ao compreender as principais influências no som, você possa realizar as correções e ajustes necessários para obter um timbre melhor. A microfonação deve ser utilizada para valorizar sua técnica e timbre, proporcionando uma experiência sonora enriquecedora.
Microfonação dedicada (um microfone por peça)
A microfonação dedicada envolve o uso de um microfone para cada peça da bateria. Se você possui uma bateria tradicional com caixa, bumbo, dois tons, surdo, dois pratos e um chimbal, seria necessário ter 8 microfones. Geralmente, são utilizados kits com 7 microfones, onde um microfone é compartilhado para o Over ou a caixa é compartilhada com o chimbal. Na minha opinião, a primeira opção é melhor, pois permite equalizar a caixa de forma mais precisa em relação ao chimbal.
Ao ter um microfone dedicado para cada peça e combiná-lo com uma mesa digital ou uma boa equalização, você terá uma excelente combinação, permitindo valorizar as frequências de cada peça e eliminar frequências indesejadas e excessos sonoros. No final deste artigo, colocamos dois vídeos do canal Sound Cara que abordam a microfonação dividida em duas partes.
No entanto, um desafio dessa abordagem para bandas ou igrejas com orçamento limitado é a necessidade de ter um canal para cada microfone na mesa de som. Muitas vezes, encontramos mesas com até 24 canais, o que pode comprometer vários canais dependendo do tamanho da banda. Embora exista a opção de usar uma mesa auxiliar para a bateria, conectando-a diretamente à entrada auxiliar da mesa principal (se disponível), não é comum investir em uma mesa auxiliar de alta qualidade. Geralmente, são utilizadas mesas auxiliares mais baratas, o que acaba comprometendo a qualidade do som. No entanto, se você combinar a microfonação dedicada com uma mesa principal de boa qualidade, é possível obter resultados satisfatórios.
Apresentaremos a seguir duas alternativas mais econômicas baseadas no método de Glyn Johns, juntamente com um vídeo demonstrativo do canal Sound Cara.
Glyn Johns é um renomado engenheiro de som e produtor musical que trabalhou com diversos artistas de renome, como The Beatles, The Who, The Rolling Stones, Led Zeppelin e Eric Clapton, entre outros.
A técnica básica consiste em utilizar 3 microfones: um dedicado ao bumbo, que requer um microfone específico para captar as frequências graves e realçar a batida mais intensa, e dois microfones de overhead com pedestais. Um dos microfones de overhead é posicionado acima da caixa, apontando para ela, enquanto o segundo é colocado entre o prato de condução e o surdo, também apontado para a caixa. Esses dois microfones de overhead são dispostos em distâncias proporcionais, embora Glyn Johns tenha mencionado em uma entrevista que não segue essa regra estritamente, preferindo confiar em seu ouvido e ajustar a distância até obter o som desejado.
Para obter mais detalhes sobre a técnica, você pode conferir o link em inglês fornecido, e caso necessário, utilizar o tradutor do Google para compreender melhor o conteúdo.
A ilustração abaixo mostra os 3 microfones da técnica (1, 2, 3) e o quarto microfone utilizado na técnica com 4 microfones (1, 2, 3, 4).
Existe também a opção de economia total, que utiliza apenas 2 microfones, comprometendo um pouco a qualidade geral. Essa opção pode ser adequada para ambientes pequenos e médios (com até aproximadamente 200m² a 250m²), onde a bateria fica sem uma cabine ou biombo/acústica. Nesse caso, combinando os microfones (conforme mostrado na imagem) 2 - Over e 3 - Bumbo, ou a combinação mais comum 3 - Bumbo e 4 - Caixa/Chimbal, é possível captar a marcação rítmica e deixar as outras peças com som natural. No entanto, essa opção é recomendada somente se realmente não for possível investir um pouco mais para adquirir um microfone extra (marcas mais acessíveis), pois a perda de qualidade não compensa a economia.
Esperamos que essas alternativas possam ajudá-lo a encontrar uma solução adequada para a microfonação da bateria, considerando também as restrições orçamentárias.

Microfonaçã22o econômica com 4 microfones (Glyn Johns Technique)
Esta é uma opção intermediária com 4 microfones, baseada na técnica de Glyn Johns com 3 microfones, porém adicionando um microfone extra dedicado para a caixa e chimbal.
Comparado a ter um microfone para cada peça da bateria, conseguimos chegar com um pouco mais da metade do custo de um kit com 7 ou 8 microfones e manter uma boa qualidade, com o plus de poder calibrar o timbre da caixa.
Microfonação supereconômica com 3 microfones (Glyn Johns Technique)
Das opções existentes que conseguem manter uma boa qualidade esta é de longe a mais indicada, permite captar todos as peças com qualidade.
Financeiramente você consegue ter uma boa economia, não passando da metade do custo do kit completo e ainda ter uma qualidade que irá te surpreender, veja abaixo no vídeo de demonstração.
Vídeos de demonstração
Os vídeos de demonstração são de dois canais que acompanho e recomendo que se inscrevam. O canal deles não é especializado para bateristas, mas sim para operadores de som, gravação, estúdios, ou seja, voltado para quem quer aprender como captar e reproduzir o som com qualidade.
Sound Cara: https://www.youtube.com/user/soundcara
Rodrigo Itaboray: https://www.youtube.com/user/itaboray






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